Para os pais: mais criatividade, menos culpa

Sobre as incertezas do futuro

A tecnologia evolui e vai dilacerando pelo caminho as coisas como as conhecemos. Não é de hoje que pesa sobre as nossas cabeças o temor de que nossos empregos sejam extintos pela capacidade infinita e barata de robôs e códigos de computador para executar tarefas repetitivas. Na verdade, esse fantasma nos persegue desde a revolução industrial do século XVIII.

Esse fenômeno persistente e potente deveria nos alegrar ao invés de nos amedrontar. De fato, nossa vida tem ficado melhor conforme as máquinas assumem tarefas que nós executamos de má vontade, como apertar, tecer, martelar e girar sem parar. Além disso a história demonstra que a gente sempre dá um jeito de arrumar o que fazer quando um emprego desaparece do mercado.

Soma-se ainda, ao amontoado de culpas inerentes aos pais modernos, o temor pelo que será de nossos filhos no futuro. Não nos é possível prever nem mesmo o destino de nossas carreiras nos próximos 10 anos. Ao olhar para as crianças brincando, balbuciando palavras incompletas, ainda tentando entender as coisas mais básicas da vida, imaginar o que o mercado de trabalho será e fará por elas pode ser uma visão apavorante.

Pois bem, há algo que pode nos ajudar a sofrer menos por antecipação. Uma noção que talvez nos falte. E posterior a essa noção, uma sequencia de atitudes diárias baseadas em um novo entendimento.

Aí vai:

As máquinas substituem todo o trabalho analítico e repetitivo e quanto melhor forem programadas melhor o farão. No entanto elas nunca serão capazes de criar.

Por criar não entenda por exemplo, montar um carro, transformar minério em metal ou mesmo escrever um artigo jornalístico. Entenda sim, como se cria um relacionamento, como se cria uma emoção, como se cria um acordo entre duas partes divergentes. Tudo aquilo que envolve o não óbvio do ser humano em sua complexidade de sentimentos e medos.

Esse turbilhão complexo é que, sem motivo aparente, produz estética, musica, dança, projetos. Que por sua vez produzem casas, móveis, serviços, propagandas e toda a sorte de coisas que julgamos boas se ter e fazer.

Olhe em volta e perceba o que já está acontecendo

Essa noção inclui a compreensão por exemplo de que dirigimos veículos há mais de 100 anos e nunca fomos bons nisso. Nos distraímos, causamos acidentes, dormimos ao volante. É óbvio que um robô bem programado será capaz de analisar mais dados mais rápido e dirigirá melhor que nós. É por isso que antes de os nossos filhos terminarem os estudos os self-driving cars serão tão comuns quanto smartphones.

Você consegue imaginar muitos empregos que estariam à disposição dos nossos filhos e deixarão de existir, mas não consegue imaginar o que tomará o seu lugar. E isso gera ansiedade.

Linda paisagem
Se o seu tema permitir, você verá um botão “largo” na barra de ferramentas da imagem. Experimente.

Livre-se da culpa

Agora perceba a redenção. Um robô será melhor do nós em dirigir carros, montá-los, até projetá-los com maior eficiência. Mas nunca se equiparará a ser humano desenhando as linhas de uma Ferrari. Quer sair um pouco dessa vibe de artista? Façamos isso. Um robô nunca vai entender por que preferimos um motor mais barulhento e potente. E por que alguns de nós os preferem silenciosos e econômicos. E se eu preferir andar de bicicleta? Ou ir de carona só para conversar com alguém? Os robôs analisam e repetem, mas não sentem e não criam.

Top. Massa. Muito Legal. E onde que entra a parte na qual se garante o futuro dos nossos filhos?

Simples. No momento em que os ensinamos a ser criativos.

A palavra é essa mesma: ensinamos. Criatividade não é um dom. A habilidade de perceber as coisas de maneiras diferentes, misturá-las, separá-las, pensar para que servem e para que poderiam servir é algo que se aprende.

Existe uma demanda natural por sermos criativos, mas ela não é suficiente para treinar a nossa criatividade. Assim como a demanda natural de andar não é suficiente para queimar as nossas calorias. É preciso treinar a mente para ser criativa, como se treina o corpo para ficar mais forte.

Murilo Gun. Comediante e Professor de Criatividade.

Devagar e com constância é possível aprender e treinar a criatividade das nossas crianças. Esse é o caminho que garantirá um futuro de adultos apropriados daquilo que tem mais valor na nossa sociedade: A capacidade de entender uns aos outros e prover novas ideias e tecnologias que melhorem a nossa qualidade de vida.

Nós, da InventePaint, entendemos que um mundo mais criativo é um mundo melhor. Criatividade e inteligência andam lado a lado, ambas são passiveis de incremento e desenvolvimento constante e é nisso que apostamos.

Que tal um exemplo?

Imagine por exemplo a criança que está riscando em uma folha de papel, quando a caneta foge da folha e risca a mesa. Tão logo um adulto chega e diz: – Você não pode fazer isso. Tem que riscar somente na folha de papel.

Que mensagem esse adulto transmite a essa criança? Será que é bom estabelecer limites tão estreitos quando uma folha de papel?

Uma possível atitude mais positiva seria providenciar uma cartolina ou colocar várias folhas de papel uma ao lado da outra. Ao invés de limitadora como a acima a expressão do adulto poderia estar repleta de instrução se fosse: – Você pode desenhar o quanto quiser, até onde suas ideias permitirem, mas para isso é preciso preparar um espaço maior, mais adequado as suas invenções. Que tal juntarmos várias folhas de papel e fazermos uma beeeem grandona?

Percebe a diferença?

Nós percebemos e acreditamos fazer a diferença quando provemos telas gigantes para os nossos artistas, pranchetas gigantes para os nossos engenheiros e blocos de anotações gigantes para os nossos jornalistas e escritores.

Sabemos que nunca faremos uma espaço grande o suficiente para a capacidade dos nossos pequenos criativos, mas vamos tentar.

De cinco em cinco metro quadrados, chegaremos lá!

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